O trabalho, dentro de uma proposta humanista, tem um pano de fundo de ajuste à realidade. No Brasil se vive praticamente uma cultura de subsistência, diferente da realidade de outros países economicamente mais desenvolvidos.
Nesse contexto cultural é comum se relegar os cuidados profiláticos pessoais ou de grupos a um segundo plano, especialmente os voltados ao crescimento pessoal (priorizando-se a intelectualidade) e a ajuda psicopedagógicas, esta não raramente, confundida com fraqueza de caráter ou insanidade mental.
Toda mudança cultural necessita de um processo, geralmente demorado e com um dinamismo próprio. Por isso, é muito comum a procura da ajuda com a intenção de buscar milagres imediatos, como se o terapeuta tivesse um bisturi capaz de extirpar as dores produzidas pela vida, o que não é possível na visão humanista. O trabalho é sempre desafiante e longo e dependente da colaboração do cliente.
Caso contrário, a ajuda torna-se um mero local de desabafo ou de explanação de bravatas, sem qualquer resultado prático.
Pelo que foi visto a psicoterapia humanista tem muitas convergências com a terapia holística e vem para somar sem qualquer concorrência ou competição, haja vista a possibilidade de se trabalhar simultaneamente.
Alias, a terapia ou psicopedagogia humanista, no plano de fundo, está mais próxima da Holística do que da psicoterapia convencional.
Dentre as principais convergências, pode-se elencar:
Uma visão holística da pessoa;
A pessoa como ser único, com identidade própria;
O corpo como expressão da sensibilidade, local onde se manifestam as tensões e conflitos;
A canalização de energias para a vida em plenitude, desbloqueando e revelando suas fontes.
1 - Por que psicopedagogia?
Na prática humanista há um redirecionamento da terapia convencional (diretiva) e focada no trauma, para uma postura de confiança na pessoa e na sua capacidade de crescimento e de autogestão da própria vida. Baseia-se na escuta ativa, sem grades de leitura ou preocupação com diagnósticos.
Sem querer fazer qualquer vínculo religioso, é interessante lembrar que Tereza d’Ávila, considerada doutora da Igreja Católica, já dizia no início do século XVI que:“quando algo em nós está funcionando mal é porque alguma virtude está precisando crescer”.
Uma das principais descobertas de Rogers é a de que toda pessoa tem um núcleo essencialmente positivo ao qual chamou de “Self”. Dessa premissa partiram todas as suas teses, tendo como objetivo final levar a pessoa “ser o que realmente se é “ROGERS, Carl R. – On Beioming a Person, 1961, pag. 37 e 146”.
Ao contrário do desejo de muitos, que querem se livrar dos incômodos buscando uma solução psicoterapêutica como se busca uma cirurgia capaz de arrancar o mal pela raiz e, num passe de mágica voltar para casa completamente curados, na visão humanista, tal como na terapia holística, a pessoa é vista como um todo e o seu universo interior é único, portanto, não há soluções milagrosas ou rotulagem com diagnósticos tópicos.
Com esse foco, caberá só à própria, descobrir as causas (ou holisticamente, canalizar energias) e ganhar estatura emocional suficiente para então, ancorada em um porto seguro em si mesma, livrar-se dos funcionamentos indesejáveis.
Isso significa primeiramente que ela deve crescer em suas capacidades de gerir a própria vida, tomando posse de sua real identidade interior, formada pelas potencialidades, habilidades e capacidade de discernimento, livre e inteligente de si mesma.
Numa segunda fase, que se inicia de modo natural em decorrência do crescimento interior, é necessária uma re-ordenação da própria vida e uma re-educação interior compatível com sua estatura adulta e com maturidade.
Não é vazio o ditado popularizado no meio humanístico de que o princípio básico da loucura é querer que amanhã seja diferente, fazendo hoje as mesmas coisas de ontem.
É preciso haver uma quebra de muitos paradigmas, dogmas e princípios, talvez fundamentais para sobreviver no passado e hoje imprestáveis como um mero depósito de esqueletosfossilizados, atrapalhando as tomadas de boas decisões, principalmente quando se procura explicações ou justificativas no entorno humano ou material, para justificar o presente.
Somente depois dessas fases é que pode se dar início a cura interior, muitas vezes, sem esforço, numa conseqüência eficaz do crescimento e da reordenação da sua vida.
O processo se assemelha à cura de um ferimento na pele, no qual as novas células surgem de dentro para fora até a completa cicatrização. Muitas vezes, tal qual na terapia, uma intervenção externa, querendo fazer o caminho inverso, pode até agravar mais a ferida e atrasar ou dificultar sua "cura".
É bem verdade que nem tudo será curado e poderão ficar seqüelas, aí sim entrará um processo de cura, mas apenas naquilo que impede a pessoa de viver em plenitude e ser si mesma.
Em resumo, pode-se afirmar que antes da cura é necessário todo um processo de crescimento e de re-educação.
Por isso, se convencionou o termo psicopedagogia, resultante da pedagogia intrinsecamente ligada à psicologia, visando o crescimento, a reeducação e a cura.
2 – Por que humanista?
O termo humanista foi introduzido na psicanálise na metade do século passado, tendo como principal patrocinador o psicólogo americano Abraham Maslow (1950). Entretanto, ele mesmo disse que a linha da psicanálise humanista não tem um líder isolado por ser fruto de uma descoberta universal.
Para não entrar numa exaustiva explanação teórica, é possível extrair para este trabalho alguns conceitos básicos do humanismo, assim resumido:
- Todo ser humano é capaz de decidir por si mesmo como conduzir adequadamente a sua própria vida, sem necessidade de paradigmas, rótulos ou intervenções externas;
- Quando isso não acontece, é porque o poder e a capacidade interior de ser si mesmo estão adormecidos ou inibidos. Maslow afirmava que:
“O homem seria um ser com poderes e capacidades amortecidos, inibidos. Adoecemos, não só por termos aspectos patológicos, mas muitas vezes, por bloquearmos elementos saudáveis. A impossibilidade de manifestarmos nossa criatividade e de atualizarmos nosso potencial como seres humanos realizados traria comoconseqüência a neurose”;
Pouco tempo depois, André Rochais também afirmaria algo semelhante, confirmando essa linha de descobertas:
“Dormimos sobre tesouros, sobre poços de energia, sobre um vulcão de criatividade, sobre reservas incríveis de amor verdadeiro”.
- Cada pessoa é única e possui identidade própria, entretanto há características universais comuns ao ser humano. O olhar humanista é o respeitoso ao direito de cada um ser diferente, dentro de uma unidade humana na diversidade de características individuais.
Em resumo, a visão humanista não segue a linha do pensamento dedutivo, com base em paradigmas, conceitos e princípios, ao contrário, ela é indutiva a partir das realidades interiores da pessoa, direcionando a ela todo foco de atenção, para ajudá-la, por si mesma canalizar suas próprias energias para o escopo da sua razão de vida.
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Sidney Rosa Nascimento Junior CRT 44269 - Terapeuta Holístico
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